sábado, 1 de junho de 2013

ALGUNS DEPOIMENTOS SOBRE A EXPERIÊNCIA COM A DESCOBERTA DA LEITURA:



"Em casa também adorávamos a leitura de gibis. Aliás, até hoje, quando me deparo com um gibizinho, às vezes em consultórios de médicos e dentistas, volto a ser criança, até rio sozinha, chamando a atenção das pessoas ao redor."
 LUCIANA MARIA ABÍLIO


"...não me lembro da minha primeira palavra, mas, como a Graziella, também eu saía pelas ruas lendo as placas dos estabelecimentos, com uma sensação de incrível poder sobre um mundo antes tão enigmático. Será que as crianças hoje sentem o mesmo fascínio?"
 LUCIANA MARIA ABÍLIO

"Ler é viajar. É deparar-se com novas culturas, conhecer pessoas e lugares diferentes, ter contato com outras linguagens.
Comecei a ler muito cedo, antes mesmo de ir para a escola, com a ajuda de minha mãe e meus irmãos mais velhos. Com oito, nove anos, lia a Bíblia, em reuniões para estudos bíblicos com minha mãe e algumas amigas dela. Leitura difícil para uma criança, mas que me permitiu, desde cedo, ter contato com uma linguagem mais culta e pura.
Havia poucos livros em casa, livros eram artigos para gente de mais condições financeiras, eram caros (são até hoje, por sinal), mas minha mãe comprou uma coleção de clássicos (que ainda temos, já amarelados pelo tempo) e meus irmãos e eu pudemos conhecer histórias incríveis como “A volta ao mundo em 80 dias”, “Vinte mil léguas submarinas”, “Alice no país das maravilhas”, “Os miseráveis”, entre outras. Éramos incentivados à leitura por minha mãe, amante dos livros até hoje, mesmo tendo feito só o curso primário.
Dos irmãos, fui eu quem mais se inclinou para este mundo fantástico. Sempre amei ler e escrever, arrisco-me a alguns contos e poesias, sem muitas pretensões. Escrevo e leio por puro prazer. Foi assim que senti minha vocação para o curso de Letras. As aulas de Literatura são as que mais me apaixonam. Tento passar esse encantamento aos meus alunos.
Assim como Danuza Leão, sou viciada em ler (também leio bulas de remédio!), não sei ficar um único dia sem ler, livro atrás de livro, e, se não houver novos, vou relendo os mais antigos.
E sou acumuladora de livros. Sonho em ter uma biblioteca. Hoje já tenho por volta de 850, 900 livros (alguns didáticos). Tenho verdadeiro ciúme de meus livros e só os empresto a pessoas em quem confio verdadeiramente.
Quem me conhece bem já sabe: se quiser me dar um presente que realmente me faça feliz, é só me dar um bom livro! "
LUCIANA MARIA ABÍLIO

"Minhas experiências? Começaram com a observação da estante de meu avô Rivadávia de Brito. Ele lia muito e isso me fascinava.É realmente fascinante. Mas, engraçado, hoje não tenho muitos livros em minha estante. Leio um livro e logo passo adiante. Parece que para mim, a indignação não era tanto em ver uma imensidade de livros na estante de meu avô, e sim em ver tantos livros parados, fechados, estagnados rsrsr tantas histórias que poderiam estar correndo pelos muitos olhos sedentos de outros mundos rsrrsrs...

Hoje meus livros estão por aí, mas continuam dentro de mim rsrrs
Aos 5 ou 6 anos passei a frequentar a biblioteca, e assim aprendi a amar os livros. Meu primeiro livro: Sítio do Pica-pau amarelo de Monteiro Lobato.""
LÍGIA MARINA DE BRITO

"Não tive ninguém em casa quem me incentivasse a ler, pois papai e mamãe são quase analfabetos, coitados, sou nordestina e filha de nordestinos que sabem apenas escrever os próprios nomes. Entretanto sempre me incentivaram a frequentar a escola. Contudo na escola tive uma professora de português chamada Inês que lia poesias e textos com tanta excelência que até chorava. Isso foi na antiga oitava série, isso de deixou com um enigma, como ela pode chorar com  tanta "bobagem". Mas desde essa série por diante nunca mais parei de ler. E leio de um tudo  bulas, revistas, leis, contos, crônicas, psicografias, romances, tragédia etc. Com a leitura descobri um mundo lindo, imperfeito, amplo, alegre, triste, enfim descobri a VIDA. Por isso fiz magistério e leciono há vinte anos e amo de paixão meus alunos."
JOSEFA JOSEMEIRE DA SILVA


"O mundo em que vivemos, hoje em, dia oferece a todos nós tantas possibilidades de conhecimento. Diferente de 15, 20 anos atrás. Temos o computador, internet, livros nas escolas, tantas ferramentas. Mas mesmo assim, vemos muitos jovens que não querem parar e abrir um livro, nem que seja aqui mesmo nessas maravilhosas ferramentas. Eu, menina, andava léguas e léguas até o centro do meu bairro atrás de um simples e magnífico, fantástico livro. Cresci, e ainda hoje lembro de vários deles, seus personagens ficaram em mim. As histórias ajudaram-me a entender a minha própria história. Valeu a pena, aliás como diz o magnífico Fernando Pessoa que leio e amo, a quem fui a Lisboa atrás, visitá-lo, digo seguir seus passos, digo estar nos lugares onde ele caminhou rsrsr: "Tudo vale a pena, se a alma não é pequena."
 LÍGIA MARINA DE BRITO



Um comentário:

  1. Ligia , adorei seu depoimento. Realmente apesar de tanta tecnologia, da imensa necessidade de se apropriar da palavra e da leitura, estamos vivendo um momento na educação em que jovens chegam ao final do ensino Médio apenas decodificando um certo número de palavras." Tudo vale a pena se alma não é pequena" e me questiono o que podemos fazer para mudar esse quadro e socializar de fato o mundo da leitura e da escrita a todos que passem pela escola.

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